04 de Junho de 2018
Dados

Dados: a profissão que é a mina de ouro dos negócios

O avanço tecnológico acelerado dos últimos anos vem causando profundas mudanças em todas as áreas e segmentos da sociedade

Um dos “efeitos colaterais” desse avanço é a enorme quantidade de dados que são gerados espontaneamente pelos usuários: sejam em seus computadores pessoais ou dispositivos móveis, toda e qualquer interação produz rastros digitais. Com o aumento do número de pessoas e dispositivos conectados à internet, a tendência é de crescimento exponencial.

É a partir deste contexto que emerge uma “nova” área, genericamente denominada como “ciência de dados”. Unindo competências e abordagens multidisciplinares que vão de TI a estatística, passando por marketing, comunicação e negócios, a ciência de dados vem adquirindo protagonismo (é uma das profissões cuja demanda mais cresce nos últimos anos nos EUA, por exemplo) não apenas para lidar com o cenário de “excesso de informações” descrito no parágrafo anterior, mas para extrair inteligência a partir de milhões de terabytes de informações coletadas das mais diversas fontes.

O que os players das esferas pública e privada estão começando a perceber é que se o petróleo foi o “ouro negro” do século XX, os dados são o “novo ouro” do século XXI. Para notar esse “movimento”, basta olhar ao redor e perceber como as empresas mais valiosas neste início de século (como Google ou Facebook, por exemplo) constroem seus “impérios” a partir de um oceano crescente de informações sobre seus usuários.

Neste cenário, fica cada vez mais evidente que todos os desafios presentes na maneira tradicional de se fazer negócio passam, a partir de agora, por uma mudança de paradigma: do desenvolvimento de produtos ou serviços, à publicidade, venda, experiência, relacionamento etc, TUDO pode ser planejado, analisado e modificado em tempo real, a partir da utilização da ciência de dados, o que gera um diferencial competitivo e uma vantagem estratégica sem paralelos na história recente.

Hoje é possível avaliar e compreender, por exemplo, o comportamento dos clientes, como as pessoas falam sobre determinadas marcas ou produtos, em quais circunstâncias buscam informações, como tomam decisão de compra, entre outras possibilidades. Estruturar e investigar como estes elementos impactam nos resultados e objetivos de negócio e tomar decisões mais precisas e solidamente embasadas. Gestores, líderes, diretores e profissionais em posições de tomadas de decisão estratégicas têm, ao alcance de suas mãos, a chance de acessarem um arsenal de informações que lhes permitirão corrigir rotas, atender novas demandas, melhorar serviços tudo em tempo real.

Algumas empresas já perceberam a “mina de ouro” que os dados oferecem e como essa “nova inteligência” pode ser imprescindível para aumento de eficiência, inovação, relacionamento e relevância, todos atributos fundamentais neste início de século. No Brasil, esse movimento também começa a ganhar tração em frentes distintas nos mais diversos segmentos. A multiplicidade de setores que estão procurando por esta categoria de serviços apenas demonstra a diversidade de aplicações práticas que a área de Ciência de Dados oferece. Fora daqui, já temos casos emblemáticos (ou “cases”, para usar uma terminologia mais pop), como as campanhas do Brexit e de Donald Trump, ambas realizadas a partir de um amplo trabalho de dados.

Em uma época de mudanças cada vez mais velozes, a utilização consistente e estratégica dos dados e informações geradas diariamente em diversas áreas, plataformas e dispositivos, se torna uma questão de “vida ou morte”, isto é, representa a diferença entre a empresa que se mantém relevante e aquela que fica pelo caminho. A ciência de dados, portanto, não é apenas uma “nova ferramenta”. É uma vantagem evolutiva.


Escrito por José Borbolla, coordenador dos cursos de Dados da Digital House.