25 de Julho de 2018
Dados

Internet das Coisas (IoT) e sua aplicação no Marketing

Com mais equipamentos conectados, o marketing digital pode gerar melhores resultados

A geladeira pode fazer a lista de compras do mês, o relógio sabe qual horário você pratica esportes, o carro sabe o melhor trajeto para o trabalho todos os dias, o hotel que você fica em suas viagens de negócio conhece sua preferência por temperatura. Bem-vindo à Internet das Coisas.

Não é mais só o celular e o computador que são objetos conectados. Televisão, geladeira, carro, relógio, chuveiros e tantas outras “coisas” estão em rede, conectados à internet, à você e, talvez, até entre si. Essa é uma das mais simples definições de “Internet das Coisas” (em tradução livre do inglês, Internet of Things): equipamentos dos nosso cotidiano conectados.

Talvez essa realidade soe distante e mais ficção científica do que atualidade, mas ela está muito mais próxima do que imaginamos. A empresa americana de soluções de marketing Marketo lançou uma pesquisa em 2017 sinalizando que 51% dos principais profissionais de marketing esperam que a Internet das Coisas revolucione o mercado até 2020. Além disso, em 2020 o mercado mundial de soluções nessa área será de US $ 7,1 trilhões.

E suas aplicações vão muito além do ambiente doméstico. Empresas que atuam na área de saúde, esportes e automotivos já fazem uso da Internet das Coisas para melhorar seus serviços à experiência do consumidor. Por exemplo, médicos que conseguem ter acesso à dieta de seu paciente de acordo com os dados de sua geladeira ou a um gráfico de pressão arterial que seu relógio inteligente armazena durante atividades físicas.

Mas onde e como o marketing digital se encaixa nesse fantástico mundo novo? A internet das coisas possibilitará acesso a informações mais completas e ricas, permitirá uma interação mais próximas com os usuários e consumidores, resultará em um conteúdo altamente personalizado e, portanto, mais inteligente. Tudo isso em tempo real.

Dados, dados, dados!

Dificilmente há precedentes para a quantidade de dados sobre comportamento e hábitos de consumos que diferentes equipamentos e plataformas conectados podem gerar. O mesmo vale para as possibilidades de estratégias aliadas a esse precioso banco de dados.

Será possível ter uma dimensão mais apurada sobre onde o consumidor está em sua jornada de compra, quais produtos e serviços está mais acostumado a consumir e quais são suas ambições. Isso abre, por exemplo, novas possibilidades para vendas cruzadas ou upgrades em serviços que o cliente já possui.

Um exemplo é a ação que o hotel The Wynn Las Vegas realizou ao incluir a assistente pessoal Alexa, da Amazon, em seus quartos. Informações como preferências de temperatura, música, filmes e pedidos de serviço de quarto podem resultar em ações de marketing que enviam e-mails personalizados sugerindo restaurantes na cidade compatíveis com os pratos enviados ao quarto. Ou então oferecer descontos na estadia para ver o show da banda que você ouviu durante sua estadia.

Esses são só alguns exemplos. O ponto principal é que sua estratégia e seu conteúdo precisarão ser ainda mais sofisticados e personalizados para conseguir a atenção e a fidelização do consumidor.

Uma grande quantidade de dados, no entanto, pode parecer assustador. Às vezes, equipes de marketing possuem dificuldade para gerenciar os dados que já estão disponíveis, imagine em uma realidade hiperconectada?

Apesar da estimativa de existirem mais de 50 bilhões de aparelhos conectados à Internet das Coisas até 2020, boas práticas de gestão, desenvolver metodologias e ter um conteúdo de qualidade são as respostas para não se perder em tantos dados.

A melhor experiência do usuário

Com tantas informações disponíveis e com um conteúdo altamente personalizado, a experiência do usuário será a melhor possível se você tiver a melhor estratégia de marketing para acompanhar. Os problemas que seu cliente pode enfrentar serão identificados e solucionados em menos tempo e sua empresa também terá um custo menor na operação desse atendimento.

A interação entre empresa e usuários finais será muito mais próxima e a busca pela satisfação do cliente será ainda mais intensa, afinal, a insatisfação será sentida imediatamente. Os feedbacks e problemas reportados terão um impacto mais rápido na linha de produção, no caso de manufaturados, mudando prontamente características que não agradam ou se mostram dispensáveis dentro da experiência do produto.

Em outros casos, sua estratégia de marketing contemplará mais plataformas para conseguir se comunicar com o cliente, com dados sobre o melhor momento para abordá-lo e com um conteúdo assertivo, personalizado e adequado.

Se seu produto for, por exemplo, um mixer que tem como público-alvo mães que preparam vitaminas para seus filhos de manhã, mas seus dados mostram que ele está sendo usado por pessoas idosas que tomam complementos vitamínicos ou esportistas que precisam de proteína antes do treino, isso te dá oportunidade de repensar, melhorar e criar um novo alvo em sua estratégia de marketing sem precisar passar por demoradas e burocráticas pesquisas de consumo.

Confiança

Um dos grandes temas do ano é como seus dados são utilizados e por quem. Com mais dados disponíveis, a tendência é que o consumidor só os compartilhe com marcas que realmente confia.

De acordo com Matt McGowan, presidente da empresa americana Adestra, “quanto mais criativos somos no uso de dados, mais ‘sinistros’ parecemos aos olhos dos nossos clientes”. Ou seja, apesar de já termos acesso a grande parte dos dados dos consumidores, existe um acordo tácito de que não vamos deixá-los saber disso explicitamente.

Por isso, é importante não quebrar a confiança que o cliente deposita em nós usando esses dados de maneira irresponsável ou inconveniente, zelando por sua privacidade e preferências.

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