10 de Setembro de 2018
Programação

O que é Arquitetura da Informação e como aplicá-la em seus projetos

Organizar o seu conteúdo digital não é tão simples quanto parece, mas faz toda a diferença para a experiência do usuário

Quanto tempo você demora para encontrar a informação que está procurando em um website ou um aplicativo mobile? Por quantas páginas você precisa passar, quantos cliques tem que dar e o quanto precisa navegar? Se a resposta não é “pouco tempo”, você não tem visitado muitos sites que fazem bom uso da Arquitetura da Informação em suas interfaces.

Esse conceito que nasceu com a semiótica em meados da década de 1970 é um dos principais responsáveis por facilitar nossa vida na navegação online, pois a Arquitetura da Informação tem como objetivo organizar as informações de um determinado segmento da maneira mais clara possível, categorizando-as para facilitar e agilizar nossa busca, evitando assim um grande caos.

Quem cunhou o termo foi Richard Saul Wurman, um arquiteto e designer gráfico americano que já escreveu e publicou mais de 80 livros. Um deles, chamado Information Anxiety, marca o início da era da Arquitetura da Informação. Nos idos dos anos 60, Wurman defendia que passávamos por uma avalanche não de informações, mas sim de dados. E parte do papel de um arquiteto da informação era conseguir transformar esses dados em conteúdos compreensíveis.

Wurman, que está vivo e com 83 anos de idade, ainda carrega a mesma bandeira e foi assim que ele se tornou um dos fundadores do TED, aquelas famosas palestras curtas que assistimos no YouTube sobre os mais diversos temas. É um trabalho de curadoria, seleção e hierarquização conseguir abordar pontos relevantes de um assunto em uma palestra de quinze minutos – e isso é exatamente tudo o que a Arquitetura da Informação representa.

Porque o primeiro parágrafo do texto fala sobre navegação, web e aplicativos, é de se imaginar que a Arquitetura da Informação esteja restrita ao ambiente digital. Engana-se quem pensa assim, pois ela também é altamente aplicável no meio físico, como para organizar bibliotecas, arquivos, grandes bancos de dados, campanhas publicitárias e tudo aquilo que envolve uma grande quantidade de informação concentrada em um local.

No entanto, é no aspecto digital que vamos focar neste artigo, pois Arquitetura da Informação tem tudo a ver com User Experience (UX), já que ela ajuda – e muito – a garantir que o usuário terá uma experiência excelente com seu produto digital, ajudando-o a encontrar e buscar a informação que ele precisa de uma maneira prática e eficiente.

Aplicando a Arquitetura da Informação em seus projetos

De acordo com o Instituto de Arquitetura da Informação (Information Architecture Institute), a arquitetura da informação se define por: design estrutural de ambientes de informação compartilhada; arte e ciência de organização e rotulação de sites web, intranets, comunidades online e software de apoio à encontrabilidade e usabilidade.

É importante destacar que quando falamos de Arquitetura da Informação em um ambiente digital, design e desenvolvimento andam lado a lado e são correlatos. A estruturação do seu banco de dados e a categorização do seu conteúdo podem ser excelentes, mas isso não vale nada se o aspecto visual do site não facilita a navegação. O inverso também vale. Design, organização e sistema são as palavras-chave para o sucesso da experiência do seu internauta.

Abaixo, listamos algumas dicas de como elencar suas informações usando estratégias da Arquitetura da Informação.

Do Abstrato ao Concreto

De acordo com Jesse James Garret, autor do livro “The Elements of User Experience”, a experiência do usuário começa no plano abstrato, quando o produto ainda está sendo concebido e seus objetivos estão sendo definidos, assim como o que o próprio usuário pode esperar dele. A partir daí, novas camadas surgem, sobrepondo-se, ganhando forma e deixando o projeto cada vez mais palpável.

Define-se o escopo, quais serão as funcionalidades e qualidades do produto e como o projeto será conduzido. Em seguida, é preciso definir a estrutura do produto, como ele será organizado, quais são suas limitações e como ele será encontrado pelos usuários. A penúltima etapa é o esqueleto, quando é colocado no papel a organização da interface, seus elementos e funcionalidades para o usuário. Por fim, a superfície, que nada mais é do que a interface final com a qual o cliente irá interagir.

Modelo mental

Os modelos – ou mapas – mentais são uma forma de organização e hierarquização da informação que privilegia a correlação entre os termos. Por ser muito visual, o Modelo Mental permite que, seguindo esta lógica, você faça uma representação do comportamento de um público específico, representando suas motivações iniciais. A partir daí, fica mais fácil de desenhar os melhores e mais ágeis caminhos para determinadas informações.

Hierarquização

Se você já recorreu alguma vez ao botão “Mapa do Site”, você já está familiarizado com a hierarquização e categorização das informações da página acessada. A maneira como essa seção é estruturada, como uma árvore que começa em “Home” e se expande em galhos de outras categorias e subcategorias, é a forma mais comum e familiar de Arquitetura da Informação em ambientes digitais. E também uma das mais orgânicas para o usuário, pois a ideia é justamente facilitar ao máximo que ele chegue do ponto A ao ponto B.

Por isso, rotular suas informações e colocá-las em caixas distintas é muito importante. Imagine-se em uma livraria na qual livros de biologia molecular ficassem na mesma prateleira que literatura africana e livros sobre direito penal. Obviamente, você demoraria o dobro de tempo para encontrar o livro desejado.

Em um website ou aplicativo mobile, a lógica é a mesma. Quando informações relacionadas ao mesmo assunto estão agrupadas em um rótulo, o acesso é mais rápido, prático e requer pouca ou nenhuma ajuda.

Fluxos de navegação

De quantas formas o usuário pode acessar a mesma informação em seu site? Quantos caminhos estão disponíveis?

Através de um simples fluxograma, é possível desenhar quais são as possíveis jornadas de navegação: digitar no campo de busca, ele recebeu o link da página pronto, entrou em uma categoria do site, clicou em um banner na página principal, entre tantas outras opções.

Independente do caminho, todos devem ser curtos, rápidos e claros, para não confundir e tampouco frustrar a experiência do usuário durante a navegação em sua interface.

Wireframes

Wireframes são protótipos da interface final, onde é possível desenhar, organizar e testar as categorias e funcionalidades do seu website. Aqui, é possível visualizar a arquitetura informacional do conteúdo. É possível criar wireframes em papel, em editores gráficos e até diretamente em HTML.

Apesar de ser mais aconselhável começar com os wireframes de baixa-fidelidade (papel), o meio não é tão importante quanto as possibilidades de visualização. Esta é uma das últimas etapas e uma das mais concretas da Arquitetura da Informação do seu produto. Depois dessa fase, é hora de colocar a mão na massa e garantir a melhor experiência para seu usuário.

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