08 de Agosto de 2018
Dados

Por que o setor de Data Science precisa de mais mulheres?

Como a diversidade pode trazer mais sucesso nas duas pontas de desenvolvimento de algoritmos e análise de big data

O século XXI tem uma grande obsessão por dados. Métricas, gráficos, números que resultam em análises, insights e, consequentemente, estratégias e produtos. Estamos falando da era do Big Data e de Data Science (ou Ciência de Dados), na qual dados são responsáveis por (re)definir nosso futuro. E, por incrível que pareça, este é um cenário promissor para mulheres que trabalham tanto com dados quanto com finanças.

Em 2012, a revista Harvard Business Review classificou o cargo de Data Scientist como “o trabalho mais sexy do século XXI” e, há alguns meses, a IBM estimou que a demanda por profissionais dessa área crescerá 28% até 2020, sendo que suas maiores áreas de atuação serão finanças, seguros, tecnologia da informação e comunicação.

Se estamos falando de um futuro próximo no qual dados e métricas definem tomadas de decisões, isso também vale para a contratação nessas áreas. A empresa canadense SAS de tecnologia e data science está desenvolvendo um software de recursos humanos que “elimina” preconceitos e vieses que sempre acabam priorizando profissionais do sexo masculino em detrimento a mulheres ou outras minorias.

De acordo com a empresa, linguagem enviesada e padrões de processo seletivo podem ser revistos ou até eliminados para garantir a diversidade no ambiente de trabalho. Não por menos, a própria SAS é considerada a empresa com o melhor ambiente de trabalho para mulheres e minorias no Canadá.

Quanto mais diversidade, mais sucesso para todo mundo

Muito do mundo moderno foi desenhado por e para homens, e não é novidade que ambientes de tecnologia ainda têm muito a evoluir para serem considerados “amigáveis” para profissionais do sexo feminino.

De acordo com a revista Forbes, somente 26% de todos os empregos de Data Science nos Estados Unidos são ocupados por mulheres. Esse dado nos mostra que o setor está longe de levantar a bandeira da diversidade.

Quando não há diversidade de funcionários por trás do desenvolvimento de algoritmos que podem determinar aprovação de renda para empréstimos e seguros, análise de risco ou perfil de investimento, o resultado final não contemplará a diversidade presente no mundo atual, muito menos questões históricas de, por exemplo, disparidade de concentração de riqueza. Por isso o setor de Data Science precisa de mulheres e outras minorias.

Além de mulheres comprovadamente terem sucesso em áreas nas quais comunicação é uma habilidade chave e muitas vezes terem mais sucesso que os homens, elas podem ajudar o mercado a se livrar de soluções enviesadas criadas unicamente por uma maioria de homens brancos. Entender um problema e seus desdobramentos é tão importante quanto solucioná-lo, eis que entra o papel das mulheres.

Outro fator importante é que mulheres que se graduam na área de finanças têm mais chances de se envolverem em causas sociais para promover igualdade econômica do que homens formados nas mesmas áreas. Um estudo na Universidade de Georgetown mostra que mulheres empreendedoras são 1,17 vezes mais propensas a usarem seus negócios para mudanças sociais ou ambientais em comparação aos homens.

Mais igualdade no topo da pirâmide

Quando processos de seleção são baseados em resultados e dados em vez de serem baseados em preconceitos, mais as mulheres e minorias têm chances reais de conseguir altos cargos, principalmente no setor de finanças, que ainda é muito resistente a líderes femininas.

Um estudo recente da Fundação Rockefeller descobriu que quando uma empresa está quebrando, CEOs que são mulheres são apontadas como culpadas por sua liderança fraca, enquanto o mesmo não acontece com homens.

A diferença é surpreendente: 80% da cobertura midiática tem relatos culpando as CEOs, em comparação a somente 31% de narrativas que apontam os CEOs como líderes ruins. Tal cenário é mais uma pedra desmotivadora em um caminho que, historicamente, tem sido altamente subjetivo e muitas vezes tendencioso contra mulheres e minorias.

De acordo com a pesquisadora Barbara Stewart, especialista em pesquisar o papel das mulheres no mundo das finanças, “As forças de interseção da ciência de dados, finanças e mulheres são uma combinação de mudança de jogo. A ciência de dados será a chave para abrir a porta para as mulheres para os cargos mais poderosos em finanças”.

E algumas dessas mudanças de jogo já podem ser notadas. A Universidade de Standford foi palco da conferência Women In Data e conseguiu reunir um grupo recorde de mulheres palestrantes e também na audiência das palestras. Isso prova que as mulheres estão presentes e existem no setor de Dados e, cada vez mais, buscam por visibilidade e igualdade.

Este ano, a primeira turma de alunos de Data Analytics da Digital House desenvolverá projetos sobre diversidade no mercado de trabalho orientados por um time acadêmico composto de 60% de mulheres que estão na área.

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