26 de Março de 2018
Desenvolvimento Web Full Stack

Um território para muitos: a programação por outros olhos

A primeira pessoa a desenvolver um código no mundo foi uma mulher, Ada Lovelace. E durante longos anos, as mulheres representaram alta porcentagem nos cursos de Ciência da Computação. Em meados dos anos 80, esses números começaram a mudar. Por quê?

“Esta semana, vi uma nota dizendo que segundo a documentação do IME (Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo) a primeira turma de Ciência da Computação formada por eles, isso lá em 1971, tinha 15 mulheres e somente 6 homens. Me perguntei: por que isso mudou?”. Foi assim que Ana Paula da Silva, professora de Desenvolvimento Web Full Stack da Digital House começou uma conversa sobre mulheres na programação. E nós abraçamos a questão: por que isso mudou?

O site americano Smithsonianmag.com – que aborda temas como tecnologia, inovação, história e ciência – se baseia em dados históricos para levantar a teoria de que a baixa de mulheres nas áreas de programação se deu com a popularização dos computadores pessoais nos anos 1980.

Na época, os conhecidos CP-300 e CP-500, primeiros computadores a terem entrada nas casas, não eram capazes de fazer muitas coisas e eram vendidos como máquinas para jogar videogame, com foco no público masculino. Logo, o computador entrou na categoria “brinquedo de menino” e deu a eles uma vantagem nas aulas informática e computação.

Daí em diante, os números foram consequência dessa construção social que só começou a mudar por volta dos anos 2000, quando além de mais potentes, os computadores deixaram de ser necessários só nos escritórios e passaram a ser requisitados também em casa como ferramenta de estudo e descompressão – foi quando as redes sociais se popularizaram e os conteúdos mais informais e direcionados à diversão ganharam mais espaço.

E por que, ainda hoje, existem poucas mulheres na programação?

Ana Paula sugere que, com o passar dos anos, essa distância entre as mulheres e o mercado de desenvolvimento foi sustentada pela inércia. “Um dia aconteceu dos homens se tornarem maioria. Nem sempre foi assim, como vimos historicamente. Mas um dia aconteceu e assim ficou. Eu não entendo!”, diz. E sustenta a ideia de que esse jogo precisa ser mudado e que fará o que puder para trazer mais mulheres às suas aulas e ao mundo da programação.

Uma pesquisa realizada no GitHub, uma das maiores comunidades de código open-source do mundo, atesta que os códigos escritos por mulheres são mais aprovados do que aqueles escritos por homens, desconstruindo todo o conceito de que a aptidão à área está relacionada ao gênero.

“A programação não tem gênero, é uma profissão como outra qualquer”, diz Ana Paula, que ao longo dos anos como desenvolvedora, atribui o desrespeito ao gênero e não necessariamente à escolha da profissão. “Já trabalhei em projetos em que eu fui muito desrespeitada, em que a minha opinião não era ouvida, em que eu tinha menos credibilidade por ser mulher. Mas também já tive equipes em que o fato de ser mulher não fazia a menor diferença. Nos tratávamos de igual para igual, porque dentro daquele time, éramos todos desenvolvedores, éramos todos iguais”.

A opinião de Ana Paula é que as mulheres não devem pensar na programação como algo distante delas. Tão pouco que o fato de ser uma profissão com muita atuação masculina deve distanciá-las desse ambiente. “É uma luta muito maior. O desrespeito à mulher só existe na programação porque existe em qualquer outro lugar. Então você não tem que deixar de fazer alguma coisa que gosta ou que acha interessante pensando nisso. Você só vai lá e faz. Eu fui lá e fiz. Nem sequer pensei na desigualdade de gênero quando escolhi fazer Ciência da Computação”.

Mas o que a programação acrescenta à minha vida?

Muito tem se falado em aprender linguagens de programação para desenvolver habilidades e não só como ferramenta para atuar na área. Estudar programação desenvolve raciocínio lógico, criatividade e agilidade na resolução de problemas.

Quer mais uma vantagem? O Brasil pode chegar em 2020 com um déficit de mais de 400 mil profissionais qualificados de TI, segundo a Softex enquanto as mulheres são as mais afetadas quando o assunto é desemprego no Brasil: 13,8% delas está desempregada contra 10,7% dos homens, de acordo com dados do último trimestre de 2016 levantados pelo IBGE.

Além disso, saber programação é o primeiro passo para você tirar do papel aquele projeto legal que por enquanto está só no campo das ideias. “O que eu gosto na programação é ver as coisas nascendo, existindo. Você escreve e então aquilo existe, se materializa. Está ali pra você ver. E por trás daquilo é o código que você escreveu”, conta Ana Paula encerrando a nossa conversa nos trazendo essa percepção sobre a programação: o desenvolvimento é muito mais do escrever código, é colocar ideias em prática e vê-las existindo.

Se você quer preencher essa lacuna do mercado, conhecer a Ana Paula e tantos outros profissionais que nos inspiram a entender e pensar programação muito além da ferramenta, venha visitar o nosso campus, conversar sobre os nossos cursos de desenvolvimento e fazer networking com quem pode te orientar sobre o que é o dia a dia de um coder.