18 de Julho de 2018
Marketing Digital

Tamanho não é documento: o poder dos microinfluenciadores

Eles têm menos de 10 mil seguidores, falam o que pensam e são capazes de alavancar marcas em poucos dias. Chamados de microinfluenciadores – o grupo é definido não apenas pelo número de seguidores, mas pela capacidade de diálogo com determinado público -, eles se tornaram importantíssimos para o marketing digital. Conversamos com o especialista Fabio Natrieli, professor da Digital House, e idealizador de bem sucedidas ações de relacionamento com essa categoria.

A lógica da influência

Na era da internet, das redes sociais e dos smartphones, todos somos influenciadores. Isso mesmo! Nós, pessoas comuns, estamos sempre compartilhando nossas impressões sobre o que fazemos, comemos e pensamos. Há relativamente pouco tempo, o consumidor apenas assistia a propagandas e era submetido a ações de marketing, de forma passiva. Com a revolução da tecnologia, veio a facilidade para gravar e publicar um vídeo, escrever textos em um blog ou simplesmente compartilhar uma opinião nas redes sociais.

Bombardeados por informação, nossos “critérios de busca” também mudaram. Hoje, além de analisar inúmeros fatores em uma decisão de compra – preço, marca, entre outros -, buscamos a opinião de pessoas de verdade. São pessoas que, geralmente, nem conhecemos ou convivemos, mas com as quais de alguma forma nos identificamos ou simpatizamos. Além de conhecer suas opiniões, podemos interagir com elas: perguntar, curtir, comentar. Uma sensação real de troca e proximidade.

Influenciadores micro x macro: qual a diferença?

“A diferença entre microinfluenciadores e macroinfluenciadores está centrada no que chamamos de laços fortes e fracos. Influenciadores com muitos seguidores possuem uma taxa de engajamento menor. Por exemplo: um estudo mostra que pessoas com menos de 2 mil seguidores têm taxa de engajamento superior a 10%. Já em relação às pessoas com 100 mil seguidores, o número cai para 2.5%”, comenta Natrieli.

E não é só a métrica quantitativa que importa. Uma pessoa pode ter laços fortes com um número limitado de indivíduos, mas sua opinião ganha um peso enorme entre esse grupo. Quando ela fala que teve uma boa experiência, de forma genuína, a força do testemunho é infinitamente maior do que a de um macroinfluenciador, que a maioria das pessoas sabe estar sendo pago para falar de um produto ou serviço, mesmo que ele realmente o use e ache bom.

Estratégia com microinfluenciadores

Primeiro, é importante definir quem são as personas do produto ou serviço. Entenda as necessidades dos clientes e inspire-se para entregar soluções. “A maioria das empresas e startups erra porque cria planos de marketing dentro de uma sala, sem ter contato com o ‘mundo real’ ou falar com usuários, apenas assumindo posições com base em seus preceitos”, comenta Natrieli.

Eleja personas e crie jornadas para cada uma delas. Saiba o que querem e quais são os pontos de atrito. Então, acerte a mão na comunicação nas redes sociais e entregue o conteúdo que os clientes valorizam, mesmo com pouco investimento em mídia paga, como Facebook e Instagram. É importante também usar a expectativa em torno da marca para gerar euforia: para que determinado conteúdo se torne viral, compartilhe informações inéditas, diferentes e interessantes. Nesse aspecto, um time de microinfluenciadores pode trazer ótimos resultados.

Como escolher em qual rede social vou trabalhar?

“O erro mais comum que observo é justamente pensar em canais (meios) antes de pensar a estratégia. Muitos planos de marketing privilegiam a parte tática e as ferramentas dominadas pelo profissional júnior, como Facebook e Google Adwords, antes de dedicar tempo à estratégia. Há várias possibilidades que vão além do plano tático, geralmente focado em mídia”, explica o professor.

Crie uma jornada completa e integrada, misturando online com varejo físico e incluindo um programa de relacionamento inovador em que a comunidade possa participar de alguma forma fomentando temas relacionados à marca. Os microinfluenciadores, por custarem menos que os macro, são perfeitos na engrenagem. “Essa é uma das dicas que damos no começo do curso na Digital House: pense na estratégia e ela vai definir os canais, não o contrário”, finaliza Natrieli.