Pedro Gravena

One of the rare creatives in Brazil with 2 Grand Prix at Cannes Festival (Cyber Mobile 2005 and 2014) plus 43 Lions in 10 years. Gravena, has over 15 years of professional experience, and has worked with national and international iconic brands like Nike, Heineken, Nivea, Brastemp. Gravena was one of the responsibl... ...

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Não dá pra mudar uma empresa inteira só por causa de uma nova tecnologia.Ou dá?

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Pedro Gravena

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O que o Vale do Silício não cansa de ensinar. -  Olha só, vou colocar uma demo em VR do nosso filme pra vocês. -  Legal… mas como é o processo de vocês, há quanto tempo vocês existem, como fazem dinheiro? -  Vamos fazer o seguinte: vou colocar o filme pra rodar aqui e depois a gente conversa, tá? - Tá, legal, mas quanto tempo tem de filme? - 15 minutos. Meu deus, comecei a suar frio! Esse lance de VR me dá tontura. Às vezes são mil coisas acontecendo ao mesmo tempo e você não sabe pra onde olhar, fica confuso. Mas enfim, se esse era o preço a pagar pra gente conhecer melhor a startup que o Tech Crunch chamou  de “A Pixar do VR”, paciência, vamos nessa. O que se passou nos próximos 15 minutos foi a experiência mais incrível de VR que já vimos, nos trouxe aquela gostosa sensação de estar vendo um gigante nascer. 15 minutos se passaram em 15 segundos e ficamos esperando mais. A Penrose Studios é mesmo tudo que falam, mas você precisa ver pra acreditar.  Eles existem há 3 anos e estão no seu 3º filme. Receberam uma única rodada de investimento e estão vivendo até agora dessa grana, sem gerar um centavo de revenue, criando filmes em VR que são de tirar o fôlego e que estão ganhando dezenas de festivais ao redor do mundo.  O que faz os filmes da Penrose serem tão diferentes dos demais que a gente vê por aí, segundo eles mesmos, é que eles não são simplesmente tech demos; são histórias emocionantes contadas de uma maneira que só o VR possibilita. Um dia, quando o VR se popularizar, esses caras provavelmente serão os primeiros a entrar na vida milhões de pessoas, na cultura popular. E, é claro, provavelmente serão os primeiros a ganhar muito, muito dinheiro. No começo dos anos 90, quando a Pixar começou a produzir o primeiro Toy Story, o contexto era parecido. A Disney estava vivendo sua segunda Era de Ouro. Rei Leão, animado quase 100% no já tradicional 2D, estava quebrando recordes de bilheteria. Tudo certo com a indústria. E aí veio uma nova tecnologia, o 3D, possibilitando contar uma história emocionante que não teria a mesma força se fosse usado o 2D ou até mesmo o Live Action. A tecnologia era tão importante pra Pixar, que todos os outros estúdios de animação estavam em Burbank, perto de L.A. (do universo do cinema), mas Ed Catmull escolheu estabelecer a Pixar em Emeryville, na Bay Area, perto do Silicon Valley. Mesma escolha da Penrose, que está em San Francisco. Assim como a Penrose, a Pixar fez alguns curta-metragens antes de experimentar qualquer sucesso comercial. Aprenderam a contar suas histórias, ganharam festivais, dominaram a tecnologia, e o resultado desse processo você conhece muito bem. O investimento que sustenta a Penrose nessa jornada há 3 anos não chega a 10% do orçamento de um único filme da Pixar. Sem nenhum exagero, a Penrose poderia ser um departamento da Pixar. Então perguntamos se eles sabiam como a Pixar estava trabalhando com VR. A resposta foi que eles já fizeram algumas adaptações, ações de marketing complementares aos filmes, mas até agora não levaram tão a sério, porque tem muito compromisso com a animação “já tradicional” em 3D. Tudo certo com a indústria. De novo. O taxímetro da Pixar roda muito alto. Não dá pra mudar uma empresa só por causa de uma nova tecnologia. Ou dá? Dá, tem que dar. É isso que faz empresas continuarem ou morrerem. É isso que fez a Disney comprar a Pixar e, por fim, mudar todo o seu processo de animação pra 3D. É preciso entender quanto as novas tecnologias podem transformar o seu jeito de contar histórias. E sim, devemos mudar nosso jeito de criar por causa de uma nova tecnologia, ou vamos perder todas as gerações que já nascerão familiarizadas com ela. Mas pra dar esse pulo, é preciso entender, experimentar e criar ferramentas e processos que tragam a tecnologia pro centro da ideia. Estamos trabalhando no lançamento de um Game MMO e por isso também visitamos a sede da Playstation, em San Mateo, no Silicon Valley. Mais uma vez, uma nova tecnologia que mudou o jeito do mundo absorver (e, nesse caso, protagonizar) histórias. O recado é claro: vamos continuar contando histórias, mas precisamos dominar novas ferramentas para engajar novas audiências. Você pode estar se perguntando: qual tecnologia escolher, em qual apostar? Olha, se eu pudesse te dar um conselho, seria: entenda o mínimo necessário de todas e se aprofunde naquelas que fazem sua história/ideia crescer. Mas traga ela pro início, pro brainstorm, mude a sua ideia pra que a tecnologia a potencialize. Não precisa ser a agência/criativo especializado em VR, AR, IOT, ou o que seja. É preciso ter uma sensibilidade quase artística pra entender em qual delas apostar e, então, apostar pra valer. A adaptação não convence. Não convence porque a tecnologia não pode ser um penduricalho da ideia, feito pra impressionar e parecer moderno. O mais bonito do trecho de 15 minutos que assistimos do filme Arden’s Awake, é que num dado momento a gente simplesmente esquecia que estava usando um monitor VR. Pra isso, mais uma vez, é preciso trazer a tecnologia pro centro da ideia, como ferramenta, como meio, nem como coadjuvante, nem como um fim em si. A gente vai lá pra meca da inovação no mundo e volta empolgado pra viver isso aqui no Brasil. Emocionar novas audiências, conectar marcas e consumidores com novas histórias imersivas, na linguagem que as pessoas entendem e querem aprender, não apenas na que estamos acostumados a falar. Ter boas ideias, ser criativo, nunca foi o problema do nosso mercado. Aliás, a Bruna Berford, Supervisora de Animação que recebeu a gente na Penrose, é brasileira. A pergunta nunca foi como sermos criativos, mas sim como usar nossa criatividade pra apostar no novo quando o “já tradicional” ainda está dando tanto dinheiro. Como perceber que é preciso nascer de novo, quando tá, como sempre, tudo certo com a indústria?
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